Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer
SIC Notícias
Para mudar o mundo, eles mantêm-se na sombra. Um programa da SIC Notícias com João Miguel Tavares, Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira e coordenação de Carlos Vaz Marques
Para mudar o mundo, eles mantêm-se na sombra. Um programa da SIC Notícias com João Miguel Tavares, Pedro Mexia, Ricardo Araújo Pereira e coordenação de Carlos Vaz Marques
Uma única bastonada, no plural
Épisodes
O ministro da Administração Interna viu uma única bastonada. O ministério, logo a seguir, esclareceu que o ministro não pretendia ser exaustivo na contagem. Fica assim a saber-se quantas bastonadas cabem numa única vez: as que forem precisas. Para sustentar a carga, o governo foi buscar uma lei das manifestações do tempo do PREC. Quem diria que a AD acabaria a invocar Vasco Gonçalves. O Presidente demorou uns dias, mas acabou por dizer que não gostou do que viu; resta saber se foi uma crítica ou uma evidência. Foi também semana de urnas. Em Israel deu empate, o que para Netanyahu já é uma espécie de vitória. No Brasil, a reviravolta: Lula ganhou com quatro milhões de votos de avanço e Flávio Bolsonaro, fiel à tradição familiar, fugiu para os Estados Unidos a dizer que lhe roubaram a eleição. Na Sérvia, um movimento de estudantes sem líder desalojou Vucic ao fim de doze anos; dizem que Amália ajudou. E Mbappé descobriu que ser rico não dá para tudo: chamar ditador a Mao, por exemplo, sai caro e obriga a penitência. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, há «O Caldeirão. A formação do actual Médio Oriente, 1900-2026», de Simon Sebag Montefiore; «Se Deus é a resposta, qual é a pergunta?», de Christopher Insole; «Nostalgia», de Mircea Cărtărescu; e «Spam Cartoon. A Raiva e o Riso», de André Carrilho, Cristina Sampaio, João Fazenda e Tiago Albuquerque. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Ricardo Araújo Pereira sente-se proteico, Pedro Mexia declara-se fora de estação, e João Miguel Tavares confessa se mi mi mi. Está reunido o programa cujos nomes estamos legalmente impedidos de dizer, numa emissão especial no encerramento da conferência "Alimentação: novos consumos, novos consumidores". Três consumidores habituais, Ricardo Araújo Pereira, Pedro Mexia e João Miguel Tavares, já muito perto da hora de almoço, tiveram ministérios e estados de espírito para partilhar no palco do Edifício Francisco Pinto Balsemão, numa iniciativa promovida pela Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) e pela Mercadona. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, há «Progresso. Uma História da Pior Ideia da Humanidade», de Samuel Miller McDonald; «No Reino do Último Homem», de Francis Fukuyama; «A Nova Idade das Trevas. A inevitável ignorância de um mundo sem livros», de James Marriott e «A Ilíada e a Odisseia de Homero. Uma Biografia», de Alberto Manguel. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há quem descubra na língua portuguesa recursos insuspeitados. Os manifestantes pela habitação, obrigados a desistir das tendas, passaram a dormir ao relento no Rossio, em conchinha. Inventaram a «aconchada». A polícia, que no Porto tinha sido implacável, também mudou de atitude; e o ministro da Administração Interna lembrou que a lei é para cumprir, o que é sempre uma boa notícia vinda de quem tutela as polícias. No Parlamento, o Chega descobriu entretanto que afinal já não gosta assim tanto da lei das rendas que ajudou a aprovar, e ameaça rasgar o acordo com o PSD. Chama-se a isto marcha-atrás, e o condutor já tem prática. Pela Europa fora, de França à Albânia, houve quem partisse montras com um entusiasmo que, embora em Outubro, fez lembrar outros Maios. No Brasil, a contagem decrescente para a segunda volta trouxe um debate sem moderador em que Bolsonaro atribuiu a Lula os votos de todos os presos, pai incluído. Por cá, Manuel Pinho saiu em liberdade sem ter entrado na cadeia; cinco anos em casa, boa parte deles penosos: sem acesso à garrafeira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Em dois dias, o Portugal Digital Summit reuniu mais de 150 oradores em 15 palcos temáticos, para discutir as oportunidades e os desafios de uma nova geração de Inteligência Artificial. O painel mais especializado apareceu no encerramento do Portugal Digital Summit, para gravar ao vivo com Carlos Vaz Marques, Ricardo Araújo Pereira, João Miguel Tavares e Pedro Mexia. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, há «Marcas de Batom / Uma História Secreta do Século XX», / de Greil Marcus, «Como Ser Dissidente», de Gal Beckerman; dois ensaios de uma nova editora, a AVEC: «Como Pensam os Drones: a Deteção de Alvos Invisíveis», de Grégory Delaplace, e «Touradas: Estética versus ética, um diálogo impossível», de Natalie Heinich; e «Merdificação, de Cory Doctorow. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Parecendo que não, a Antiguidade Clássica dá sempre jeito. “Quis custodiet ipsos custodes?”, perguntava há quase dois mil anos o poeta romano Juvenal. Pergunta particularmente oportuna na semana em que tomou posse a comissão parlamentar de inquérito ao ministro que tutela as polícias; quase ao mesmo tempo o corpo de intervenção da PSP rachou cabeças, no Porto, para dispersar uma manifestação em protesto contra o problema da habitação. “Quis custodiet ipsos custodes?”, “Quem policia a polícia?” E quem vai despejar deputadas que forçam a entrada num estúdio de rádio para onde não foram convidadas. Aconteceu em Coimbra com duas deputadas do Chega. Chamada a intervir, a polícia retirou-as do local. Sem ter rachado cabeças, porém. No PSD, a disponibilidade de Passos para regressar à política activa, caso as coisas corram mal ao governo, mereceu de Montenegro um conselho ortopédico: esperar sentado. Enquanto isso, Trump passou a comprar petróleo a Putin, ameaça recorrer à mãe de todas as bombas e acabou por impedir a transmissão em directo de um fuzilamento. Não terá querido oferecer um espectáculo gratuito aos talibans, que já tinham encomendado pipocas. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Cristiano Ronaldo decidiu revelar ao mundo a sua verdade. Trazia um pedido de desculpas, comparações com Pelé e Maradona e um seleccionador que, diz ele, lhe faltou à palavra. Falta saber quem sairá de cócoras deste folhetim: o capitão, o treinador ou o presidente da Federação. Na família laranja as contas também andam trocadas. Para Carlos Moedas, Passos Coelho fala com demasiada facilidade; o mesmo Passos que o mandou para Bruxelas. O Presidente da República estreou-se no 5 de Outubro a pedir uma nova cultura política, feita de entendimentos. À esquerda e à direita houve logo quem preferisse a velha cultura do desentendimento. Mário Centeno, entretanto, vê o diabo nas contas públicas e um novo Sócrates em São Bento. O Orçamento para 2027 já deu entrada no Parlamento, com um alívio no IRS para quem mais ganha. Enquanto isso, o bolsonarismo levou tudo à frente na primeira volta das eleições brasileiras, ao mesmo tempo que, em França, a revolta estudantil passou dos liceus para as universidades e chegou mesmo a Lisboa, onde o Liceu Francês, por precaução, achou melhor fechar portas. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, temos o número mais recente da revista Relâmpago inteiramente dedicado à poetisa Adília Lopes; há o clássico «O Herói de Mil Faces», de Joseph Campbell; o número 43 da revista Relâmpago, inteiramente dedicado a Adília Lopes; a evocação da nova Nobel da Literatura, Anne Carson, com os livros «Eros» e «Homens nas Horas Vagas»; e a poesia em prosa de Andreia C. Faria em «Aposto Tudo Numa Elegância Ferida». See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, há “Correio Literário”, de Wisława Szymborska; “Portugal na Paz dos Bloqueios”, de Pedro Gomes Sanches; “O Mal no Pensamento Ocidental”, de Susan Neiman; e “Grande Sertão Veredas”, de João Guimarães Rosa. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Guerras no mundo? Carestia de vida? Crise da habitação? Qual quê?! O que está a dar é discutir a birra. Ou a falta de respeito, consoante o ponto de vista. Foi preciso chegar Jesus para que o Cristianismo fosse posto em causa. Como já nem o orçamento do Estado oferece drama, falemos de bola. E de RL7 no lugar de CR7. Como dizia o outro: é disto que o meu povo gosta. Também gosta pouco de uma outra instituição nacional: a cunha. A menos que tenha uma outra roupagem: aí passa a ser um “jetinho”. O folhetim das gémeas ainda promete novos episódios; com protagonistas de gabarito: um ex-governante e um filho de ex-presidente. A fechar, a antecipação de duas eleições lá fora, com impacto cá dentro: as de França são só para o ano, as do Brasil já este domingo. Em ambos os casos, porém, parece só haver dois candidatos presidenciais; o resto, num pelotão ruidoso, são candidatos presenciais. See omnystudio.com/listener for privacy information.
No regresso de Maria João Avillez à antena da SIC Notícias, a jornalista entrevista Isabel Guerreiro, presidente do Santander Portugal e a primeira mulher na presidência de uma instituição bancária em Portugal. Nesta entrevista, Isabel partilha a “história improvável” que a levou da escola pública de Loulé à presidência de um dos maiores bancos da Europa, o seu estilo de liderança, as suas preocupações com a IA, o que pensa do estado do país e aborda a questão do “lucro” da banca. Ouça o novo programa da SIC Notícias, emitido a 27 de setembro. See omnystudio.com/listener for privacy information.
O Ministério Público visitou a casa da Polícia Judiciária. Quando será a segunda mão desta eliminatória com a visita da PJ ao terreno do MP? E quando teremos certezas sobre o que se passou no gabinete de Ventura? (mesmo que o próprio, depois do alarido inicial, pareça ter-se desinteressado do caso),´. Enquanto nos entretemos com estes assuntos domésticos, o mundo, em sobressalto, assiste à última Assembleia Geral das Nações Unidas da era. Depois de oito anos à gente da ONU, é caso para perguntar se o secretário-geral português foi vítima das circunstâncias ou vítima de si próprio. O debate não se fará com certeza na Trump TV. O novo canal oficial pretende contornar o boicote das principais cadeias televisivas norte-americanas à decisão de Trump de impedir o acesso de órgãos de comunicação social que não lhe agradam à Casa Branca. Entretenimento do bom. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, temos “As Origens da Era Autoritária”, de Ibram X. Kendi; um ensaio sobre o Betão, de Anselm Jappe; “Escrever à Mão”, de Alexandre Castro Caldas; e a memória de um editor notável, Vítor Silva Tavstes e a & Etc., de Emanuel Cameira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Falemos de cancelamentos. Há o do rapper despedido da tournée de um cantor britânico por ter gritado “Palestina Livre!” E há o que o presidente da Câmara de Lisboa quer promover para evitar a balbúrdia nos caixotes do lixo na cidade por causa dos dez cêntimos das embalagens para reciclar. Ou seja, um nada tem a ver com o outro, o que demonstra que a palavra ‘cancelamento’ é um chapéu para muitas ocasiões diferentes. Para que serve a franqueza em política se só os chalupas dizem ao que vêm? Há novos partidos políticos no horizonte e cada um mais particular que o outro. Todos em busca de um nicho eleitoral sem representação, porque em tempo de fragmentação há nichos que continuam por preencher. Donald Trump, entretanto, contrariado pelos juízes que ele próprio escolheu para o Supremo Tribunal, pôs em prática a segregação jornalística; de ora avante, há orgãos de comunicação social relevantes que perdem o acesso à Casa Branca. No meio de tudo isto, lá se foi a comissão de inquérito à Judiciára. Talvez o Chega volte a ela, mas para já é só intenção; e de boas intenções., já se sabe… See omnystudio.com/listener for privacy information.
Ler, escrever e contar estão pelas ruas da amargura. O principal relatório internacional de avaliação das aprendizagens revelou um cenário desastroso no ensino português. Eis um problema de fundo, enquanto se discute a espuma dos dias. O ministro Neves lá continua em funções, mesmo depois da claque do partido que queria fazer cair o governo por ele lá estar. Uma claque a selar a derrota de uma moção de censura que não ficará na história. Sempre serviu, ainda assim, para um esmola nas pensões e uma redução de impostos. Enquanto isso, há comediantes a recusarem estar no mesmo palco de uma estrela da comédia, cuja presença já há muito estava anunciada. A extrema-direita pulverizou o centro político alemão num estado da antiga RDA. E a popularidade da força política que nos governa já viu melhores dias. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, um volume de textos dispersos de Anaïs Nin sob o título «Viver a Vida Universal»; um ensaio histórico intitulado «Weimar - A Vida à Beira da Catástrofe», de Katja Hoyer; uma novela apreciada por Freud: «Gradiva - Uma Fantasia Pompeiana», de Wilhelm Jensen; e a memória autobiográfica de Geoff Dyer reunida no volume «Trabalho de Casa». See omnystudio.com/listener for privacy information.
O querido mês de Agosto já foi mais ameno. Entramos em Setembro, depois do silêncio do período de férias, a constatar que na nossa ausência o mundo não se tornou um lugar melhor. Duas guerras continuam sem fim à vista, Trump declarou o estreito de Ormuz território norte-americano e assinou um decreto a mudar o nome do lago Ontário para lago América, o petróleo da Venezuela vai aprovisionar as reservas estratégicas dos Estados Unidos. O panorama internacional não é animador, mas também cá dentro regressamos em clima de convulsão: uma moção de censura ao governo, um ministro metido em trapalhadas e alvo de várias investigações, Montenegro a comparar-se a Cavaco e a acusar a comunicação social de censura. Gritemos como Pancho Villa para animar os bandoleiros que o seguiam: “Ánimo, cabrones, que más adelante está más feo!” See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, temos “O Símio Arrogante”, de Christine Webb; “Portugal Refractário”, de António Araújo e Duarte Belo; Territórios de Fronteira, de Gerald Murnane; e “A Testemunha - Contos Completos”, de Graciliano Ramos. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Reedição do arquivo de podcasts da SIC. Episódio publicado originalmente em dezembro de 2024, de “Coisa Que Não Edifica Nem Destrói”. o primeiro podcast original de Ricardo Araújo Pereira. Ricardo Araújo Pereira fala sozinho sobre loucos e palhaços, passe o pleonasmo. Cita um autor brasileiro para o qual loucura é sensatez, e sensatez é loucura. Dedica algum tempo à etimologia da palavra delirar, pretendendo daí retirar uma conclusão interessante. Tal não se verifica. Lê uma passagem de um livro de um autor israelita na qual um humorista faz o pino. No fim, conversa com Pedro Mexia sobre as vantagens de ver o mundo de pernas para o ar. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Reedição do arquivo de podcasts da SIC. Episódio publicado originalmente em novembro de 2024, de “Coisa Que Não Edifica Nem Destrói”. o primeiro podcast original de Ricardo Araújo Pereira. Jeremy Dauber (autor de “Os Judeus e a Comédia - Uma História Muito Séria”), Carlos Vaz Marques (editor da versão portuguesa do livro), e Ricardo Araújo Pereira (que gosta de conviver), falam sobre judeus e humor. Infelizmente, a conversa decorre em inglês, língua que só um deles fala correctamente. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Depois de três semanas de silêncio, o ministro da Administração Interna quis apresentar-se no papel de “um português com’ós outros”: para quê papelada quando tudo pode ser resolvido com um jeitinho. A deslocalização dos bidões até foi um favor que nos fizeram; com o empresário amigo poupou-se imenso dinheiro ao Estado. Os holofotes sobre o ministro Neves aliviaram as luzes de polémica que quase encandearam o ministro Fernando. Está tudo resolvido, tem ele dito repetidamente. Só que não. O próximo ano lectivo afinal já não começa na data marcada. Mas nem só de trapalhadas no governo vive a actualidade. Ventura queixa-se de ter sido assaltado. Deixou a porta do gabinete aberta e larápios muito desarrumados terão, segundo ele, roubado documentos muito comprometedores para o ministro da Administração Interna. A Judiciária está a investigar, por isso, por agora, nada mais há a dizer. Ou melhor, há e é isto: entre Ventura e a verdade, sabe-se que há, é público, uma relação difícil. E de autismo, como estamos? Uma polémica sem política sabe sempre bem, para desenjoar. Neurodivergentes somos nós todos / ou ainda menos / Neurodivergentes somos nós todos / desde pequenos. (Em Agosto damos descanso aos nossos ouvintes e telespectadores; voltamos em Setembro.) Nota: esta semana não houve tempo para livros. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Um ministro diz e repete que há-de esclarecer tudo no seu tempo próprio; é esperar. Outro, fala repetidamente para pedir desculpas depois de ter posto as culpas em meio mundo; é acreditar. Há ainda um terceiro em sarilhos, mas desse se falará em próxima ocasião. Entretanto, com mais notas de exames erradas todos os dias e com o descaminho da galera sem papéis que o justifique, tal como não há relatório que explique como se avançou para uma revolução nos exames sem uma avaliação do que correu mal no teste do ano passado, o primeiro-ministro decidiu anunciar que não vai tirar férias neste verão. É melhor ficar por perto para não ter de citar, alarmado, o verso célebre de Sá de Miranda: “que farei quando tudo arde?” See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana temos na estante “Trinta Milhões de Orgasmos”, de Minh Tran Huy e Jul; “Discursos”, de Abraham Lincoln; “Terra de Cegos”, de Andrew Leland; e “O Iluminismo das Trevas”, de Arnaud Miranda. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Foi uma semana cheia de suspense. Sem sabermos se as notas dos exames seriam publicadas ou não. A discutir se o ministro da administração interna mandou construir uma piscina ou um tanque. A perguntarmo-nos se Trump quer mesmo que haja liberdade de circulação no estreito de Ormuz. Tudo isto a coincidir com o debate do estado da nação, onde governo e oposição tornaram evidente que não vivem no mesmo país. E quando se pensava que o prémio do burlesco já não escaparia à “revolta do papel” (com o ministério da educação mobilizado para encontrar as folhas desaparecidas dos exames à antiga destinados à desmaterializarização), eis que surge a história do atrelado da droga que desapareceu do Seixal e viria a ser encontrado em Barcelos. É aqui que entra a interrogação: telenovelas para quê?! See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, temos na estante «Sobre o Futuro das Nossas Instituições Educativas», de Friedrich Nietzsche; «Ensaios», de Thomas Mann; «Proémios», de Camilo Castelo Branco; e «Singular Ocorrência e outras histórias», de Machado de Assis. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, temos “Astrofísica para Gente com Pressa”, de Neil deGrasse Tyson; o romance “Carne”, de David Szalay; “Intervalo”, o diário de Marcello Duarte Mathias relativo aos anos de 2024 e 2025; e “Os Poemas”, de Catulo, na tradução de André Simões e José Pedro Moreira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Primeiro as coisas sem importância. Montenegro, o amuleto, segundo Hugo Soares, atravessou o Atlântico seis vezes; se a ideia era trazer a taça, a travessia foi em vão: o Mundial de futebol acabou para a selecção e a selecção acabou para Martinez. Mas Ronaldo continua até querer, já disse o novo seleccionador. Um pouco mais importante é o facto de em Almada, com o Tejo ali ao lado, não haver água nas torneiras. Maior importância ainda deve atribuir-se a à tentativa de adivinhar qual a próxima justificação do ministro da educação para a confusão na correcção dos exames do secundário. Nesta semana escangalhada, até a frágil paz no estreito de Ormuz foi por água abaixo. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A pátria em chuteiras celebrou a alegria futebolística numa noite de canícula. Temendo, no entanto, o “barril de pólvora” (palavras do ministro da administração interna) que ameaça as regiões de lenha acumulada pelo comboio de tempestades. Há quem diga que é tudo natural, “estamos no Verão”, mas à oitava onda de calor dá para desconfiar que o clima é capaz de estar escangalhado. Enquanto isso, o PSD insiste na questão candente das bandeiras em edifícios públicos; José Sócrates, depois de ganhar um processo contra o Estado (com o processo do Estado contra ele a marcar passo), revela que dinheiro não é questão que o preocupe (já suspeitávamos); e uma congregação católica levou por diante um desafio ao Vaticano, criando um pequeno cisma. Eis o sumário de algumas das questões que, esta semana, nos puseram a cismar. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, temos na estante “Sobre a Igualdade de Todas as Coisas”, de Carlos Rovelli; “Só os Cães São Livres de Mijar”, do colectivo Infraestrutura Pública; “The Disenchantement of Lisbon”, de Alfredo Isaías; e “O Poeta Nu”, de Jorge Sousa Braga. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A ministra queria entender-se com o Chega, mas o Chega não quis entender-se com o governo. “Borregou”, concluiu o líder parlamentar do PSD, depois do entendimento com Carneiro. A Prestação Social Única foi aprovada sem canal de denúncias. Uma derrota para a bufaria. Entre os vitoriosos da semana, estão os novos vice-presidentes do PSD: os presidentes de câmara do Porto e de Lisboa e o novo porta-voz, que andava perdido no anonimato de Bruxelas. O congresso do PSD levou a cabo o resgate do soldado Bugalho. Na mesma ocasião, Montenegro lançou o grande projecto de criar um fundo soberano. Só faltou explicar com que dinheiro e para investir em quê, exactamente. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Está semana, temos na estante “Promessas do futebol”, de Rui Passos Rocha; “Ginseng Roots”, de Craig Thompson; “Um Fio de Nada - Ensaio sobre a tolerância”, de Diogo Pires Aurélio; e “O Passeio”, de Robert Walser. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A pátria, em chuteiras, parou para assistir ao sonolento jogo de estreia da selecção da Federação Portuguesa de Futebol. Desconhece-se se os políticos que vestiram patrioteiramente a camisola já a despiram, depois da triste exibição de Ronaldo e Companhia. Enquanto isso, PSD e Chega negociaram, negociaram, negociaram e Ventura, depois das expectativas que criou ao Governo para a aprovação do pacote laboral, tirou o tapete (“Surprise! Surprise!”) a Montenegro. (O programa foi gravado na manhã de sexta-feira, ainda antes do desfecho de mais uma bela cambalhota do Chega.) Tudo isto na semana em que Estados Unidos e Irão assinaram - higienicamente, à distância - um memorando de entendimento para acabar com a guerra e para repor as coisas como elas estavam a 28 de Fevereiro. A pergunta que se impõe: para que serviu a guerra, afinal? Ainda mais uma dúvida: a “grande solidariedade” do diretor geral da PSP com um polícia condenado será descuido ou corporativismo, puro e simples? A fechar, tal como abrimos, com bola, o sócio 12 049 do Benfica (sim, Ricardo Araújo Pereira) faz o balanço de uma época sem títulos See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, temos “Viagens com uma Burra pelas Cevenas”, de Robert Louis Stevenson; “O Vício dos Fundos Europeus”, de Nuno Paalma; “Escritos Políticos”, de Nicolau Maquiavel; e dois volumes de Luiz Pacheco: “Textos Avulsos, Inéditos e Dispersos” e “Ser Livre em Português” See omnystudio.com/listener for privacy information.
No alto da Penaventosa, com vista desafogada sobre o Douro, ergue-se a primeira sede de poder do Porto. A Sé Catedral, iniciada por um bispo de origem francesa de nome D. Hugo, foi, durante 286 anos, o símbolo maior do governo da cidade. Portugal ainda não era nação quando D. Teresa, mãe de Afonso Henriques, doou o burgo e o couto portucalense à Igreja. As relações dos bispos com a coroa e com a burguesia emergente da cidade sempre foram conturbadas. Coube a D. João I, o "de boa Memória", romper com o poder da Igreja e iniciar um novo período de expansão do Porto para fora das muralhas. Neste episódio das "Histórias do Porto", o jornalista Carlos Rico conversa com Luís Amaral, especialista em povoamento e organização do território do noroeste da Península Ibérica da Universidade do Porto. See omnystudio.com/listener for privacy information.
O carrossel da guerra não pára. Estamos semana, houve troca de bombardeamentos e a habitual promessa de acordo de paz das sextas-feiras, com Trump a dá-lo por garantido e os iranianos a não confirmarem nem desmentirem. Até no caos há padrões. O que fugiu ao padrão foi a explicação da ex-ministra da administração interna sobre o que a levou a demitir-se; em resumo: diz ter percebido que não tinha qualificações para A função. Demorou a perceber, mas talvez leve outros titulares de cargos públicos se sintam inspirados por este exemplo e venham a tirar ilações, oportunamente. Entretanto, começou - sem trégua olímpica - o mundial de futebol com a perspectiva de um duelo Ronaldo - Messi se tudo correr sem surpresas nem sobressaltos. Pode ser que carrossel da bola tire protagonismo por algum tempo ao carrossel da guerra. See omnystudio.com/listener for privacy information.
A convite da Região de Turismo do Centro, o Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer participou no encerramento do “Vê Portugal — Fórum de Turismo Interno”, uma iniciativa que anualmente reúne especialistas, decisores, empresários e académicos, este ano sob o lema “Portugal inspira. O Turismo transforma”. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há uma magna questão a inquietar a época estival que se aproxima: onde vamos poder plantar o chapéu de sol na praia? Outra pergunta que surgiu, de repente, sem que déssemos por ela: como havemos de chamar ao português se deixarmos de lhe poder chamar língua portuguesa? E ainda mais um sobressalto: como manter a compostura nas redes sociais quando se têm responsabilidades públicas? Questões candentes mas que empalidecem, naturalmente, quando se torna necessário redefinir o conceito de cessar-fogo. Trump, no papel de lexicógrafo-chefe, contribuiu esta semana para tornar a definição compatível com aquilo que se está a passar no Médio Oriente. O raio do estreito é que não há maneira de voltar a abrir-se para aliviar o sufoco económico do mundo. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, temos “Salamaleques”, de Manuel de Novaes Cabral; “Abundância”, de Ezra Klein e Derek Hompson; “Do Sentimento Trágico da Vida nos Homens e nos Povos”, de Miguel de Unamuno; e “Contar uma História”, de John Berger e Susan Sontag. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, temos na estante “Israel: o que correu mal com o meu país?”, de Omer Bartov; “Miñán - Irmãozinho”, de Ibrahima Balde e Amets Aerzallus Antia; “Por Vezes é Preciso Trair”, de Kamel Daoud; e “Nevoeiro - Uma investigação”, de Pedro Eiras See omnystudio.com/listener for privacy information.
Completaram-se três meses da guerra que não ata nem desata; mas o estreito continua entupido e a aflição da economia mundial cresce a cada semana que passa. Nós, por cá, enquanto isso, vamo-nos entretendo com mega-operações do Ministério Público; polémicas em torno do SIRESP à espera que ele volte a ser necessário e a falhar; e com o modo como o Presidente da República tirou o retrato à acção do Governo no rescaldo do comboio de tempestades, deixando-o mal na fotografia. Mas nada bateu em eloquência e azedume a rubrica mensal de Passos Coelho na apresentação de mais um livro. Só lhe faltou dizer quem são os “prostitutos sem carácter” que alvejou, depois de um encontro cheio de sorrisos e cumplicidade com André Ventura See omnystudio.com/listener for privacy information.
O ministro da segurança interna de Israel decidiu partilhar com o mundo os actos de humilhação que cometeu contra estrangeiros sequestrados em alto mar, em águas internacionais. O presidente dos Estados Unidos obteve, para si e para a sua família, imunidade “para sempre” face a investigações do fisco. Embaraçado com um elogio do chefe da diplomacia norte-americana, o ministro dos negócios estrangeiros português argumenta que a frase não era literal. Nada disto são meros pormenores; alguns exemplos, apenas, de episódios de um mundo em que já nada parece inverosímil. Nem mesmo um Portugal maior, como promete Luís Montenegro. “Um Portugal” não quer dizer que seja este, claro. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, na estante, temos as crónicas de Mário Cláudio para a Antena 2 em “Fósforos Riscados no Vento”; dois livros de BD do francês Bastien Vivès: “O Gosto do Cloro” e “Corto Maltese, O Dia Anterior”; uma “colecção de violências e heresias contra português”, de Manuel Monteiro, sob o título “Em Nome da Língua, Ámen”; e o álbum “Vizinhos”, com argumento de Ana Bárbara Pedrosa e desenhos de Nuno Saraiva. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Trump nem sequer leu até ao fim a resposta do Irão. A trégua na guerra está em “respiração assistida” e o mundo de respiração suspensa, à espera de um milagre que faça com que o petróleo volte a fluir pelo estreito de Ormuz, evitando um cenário de racionamento, um dia destes. Enquanto isso, Passos Coelho voltou a zurzir Montenegro, recusando as “histórias da carochinha” do João Ratão de São Bento. E o PCP voltou a ser zurzido por ter publicado, a propósito da morte de Carlos Brito, uma mensagem de ‘apesar’, uma espécie de voto de pesar contrariado. Tudo isto na semana em que o primeiro-ministro foi a Fátima acender uma velinha e em que o governo ainda espera um milagre para poder aprovar o pacote laboral. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, temas na estante “Reflexões sobre a Dor”, de Umberto Eco; “Aliados em Guerra”, de Tim Bouverie; “Seis Noites na Acrópole”, de Yórgos Seféris; e “Amor de Perdição - O sublime camiliano”, de Tânia Furtado Moreira. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, temos na estante o “Dicionário Global das Heresias - Teologia, Cultura e Literatura”, coordenado por José Eduardo Franco e Porfírio Pinto; o clássico “Da Influência das Paixões na Felicidade dos Indivíduos e das Nações”, da Madame de Stäel; “Hiper-Política”, de Anton Jäger; e dois livros ilustrados: “Caricaturas”, de Maria Picassó, e “Cartoons do Ano 2025”, de vários autores, sob coordenação de António Antunes. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Há troca de tiros, mas o cessar-fogo continua em vigor, garante Donald Trump. Até porque Marco Rubio já deu por terminada a operação Fúria Épica. Trump anunciou também a suspensão do projecto de escoltar petroleiro pelo estreito de Ormuz. A ideia durou dois dias. Mais demoradas mas igualmente infrutíferas foram, por cá, as reuniões da Concertação Social. Sem acordo, a proposta do governo para alterar a lei laboral vai agora ser discutida no Parlamento. Ao que tudo indica para ser chumbada. O Chega exigiu como moeda de troca para a aprovação uma diminuição da idade da reforma. Com isso conseguiu indispor boa parte da direita e até Passos Coelho reagiu à ideia de Ventura com rispidez. Ríspido foi também o presidente do Chega relativamente ao ministro da administração interna. Luís Neves não esteve com eufemismos na condenação dos casos de tortura por parte de polícias em duas esquadras de Lisboa, ao que o Ventura considerou que o ministro fomenta uma atitude anti-polícia. Porquê? Por dizer que comportamentos de bandido por parte de homens fardados é intolerável. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Vai passar a ser necessário, a quem queira fazer humor, ter licença de porte de piada. Emitida por Donald Trump, naturalmente. O presidente norte-americano não a concede ao humorista Jimmy Kimmel. Talvez tenha sido, uma piada, aliás, suspeitam Trump e a porta-voz da Casa Branca, a desencadear o desvario do homicida incompetente que viajou da Califórnia a Washington com a intenção, falhada, de matar gente da administração americana num jantar de gala. Enquanto isso, a guerra continua em modo de pausa. Mas com o estreito de Ormuz duplamente bloqueado não há paz para o preço dos combustíveis. À escala doméstica, o deputado socialista que virou as costas ao presidente da Assembleia da República conseguiu pôr na ordem do dia, apesar da atitude controversa, o tema da transparência na actividade política. E o coro da casa de pessoal do conselho de ministros, a cantar o hino nacional, deu solenidade ao anúncio de uma chuva de milhões, onde há de tudo menos calendário. See omnystudio.com/listener for privacy information.
Esta semana, temos na estante uma revista que parece um livro: a Colóquio da Primavera 2026 dedicada a Camões; “Final Cut”, de Charles Burns; “Adagia e Outros Aforismos”, de Wallace Stevens; e uma viagem no tempo à Lisboa do século XX, guiada pelo classicista André Simões, em Lusitânia. See omnystudio.com/listener for privacy information.